na minha roda não existe o termo, muito menos o meio.
eu me aprumo no gênio volátil das curvas. eu excomungo a bonança.
é certo que em minha biografia há algumas rachaduras dos segundos de loucura de querer constanciar. mas a minha alma se repousa no equilíbrio da instabilidade.
hoje deixo escorregar pelos solos que ele tanto exalta o meu herói das ignorãças. o cabeludinho solitário e de amigos vegetais com quem tanto me identifico... seu manel.
descansou, virou passarinho.
não ouso sentir-me órfão de poeta. a obra de manoel de barros está eternizada no meu coração.
"escuto o meu rio:
é uma cobra
de água andando
por dentro de meu olho."
25 de set. de 2014
hoje uma aguazinha bem pequenininha me visitou o buraco do olho e me desconstruiu; me remiu!
perfil é um fio. perfil é o fim do objeto o horizonte está deitado. o fim é o que está completo. perfil é o que está de lado. o horizonte está distante. o fim fica em frente. perfil é o que está rente. o horizonte fica adiante. ali onde o céu se dobra. a água do mar transborda. o fim é o que não retorna. perfil é o vazio. o fim é o que se transforma. enfim é o fim agora. perfil é o que encosta. horizonte é uma crosta a terra é uma bandeja. ali onde o mar despeja perfil é um seio. o horizonte está no meio. o fim está perto. a casa acaba no teto. o filho acaba no neto. o fim é um feto. o horizonte é o fim da terra. ali onde o céu encerra. perfil é um rosto. o sol está posto.
o mundo vive a era da tecnologia. há quem diga que, na verdade, ele sobrevive. é notório o estreitamento das relações pessoais por causa dos meios de comunicação. embora, acompanhado dele venha a liquidez dos relacionamentos.
ferramentas como a internet e os aparelhos celulares são febre no mundo inteiro e passam a ser, para a maioria dos usuários, uma necessidade. é claro que todas essas inovações contribuem e muito para o desenvolvimento global. os celulares, por exemplo, conectam pessoas e empresas, ultrapassando qualquer barreira de tempo e espaço. a informação é rápida e insere o indivíduo no contexto mundial.
essa explosão de tecnologia e informação trouxe a sede incansável pelas suas ferramentas. o que não se tem levado em conta são as consequências negativas que tudo isso traz.
estar próximo ou distante ficou muito confuso. a aproximação virtual fez as pessoas se distanciarem, afetuosamente falando. a praticidade da conexão das redes sociais da internet e das chamadas celulares entorpecem os indivíduos quanto à necessidade atual do ser humano: se humanizar.
a tecnologia e as relações pessoais sólidas bem que poderiam andar juntas.
é como se meus olhos pudessem ver os territórios da minha alma sendo invadidos pela dor.
sinto dores que há muito não sentia. daquelas que ameaçam o orgulho, a verdade e o plano. dores que desmantelam a lógica, o tempo e a regra.
eu que ergui muros altos, que cerquei de cuidados os limites encantados da emoção. eu que conheço os danos da invasão, o drama e o estrago da rendição.. eu que sou forte, sinto dores. eu que calei o coro dos valentes, silencio diante do sussurro das dores.
eu que inventei a analgia, sinto. eu que entreguei os remédios em troca de vacina, experimento a sina de quem inevitavelmente sente.
sinto dores.
e sentindo entendi que nessa vida não há beleza livre da dor. não há sentido inviolável, nem sentimento invariável. é sentindo que se lembra que é com dores o nascimento, com dores o crescimento. é com dores que se ganha e que se perde. é com dores que se paga. é com dores que se espera.
dor é a herança confusa de quem ainda vive essa vida pequena. é o sintoma da doença. é a sentença da escolha. é algoz e é vigia. em vez de atestar a ausência do bem, é a prova do efeito do mal. sem dor não haveria salvação.
"cuidado com gente que não tem dúvida. gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo. gente que não tem dúvida só é capaz de repetir."
não vejo problema algum em um homem receber flores. preconceito... longe de mim!
mas confesso que nunca imaginei que receberia tal presente.
pois bem, hoje eu recebi. e foi bom. bom de um jeito que minhas pernas tremeram. primeiro, claro, vem aquela vergonha por receber flores assim na frente de todo mundo e no local onde você trabalha (meu caso) e depois a emoção de saber que o presente recebido é, na verdade, uma retribuição à uma serenata feita com muito amor e mpb.
as rosas eram amarelas e no cartão dizia que através delas, a remetente queria devolver a paz interior e a demonstração de amizade sincera.
fiquei vaidoso como nunca!
pra completar, recebi ontem uma homenagem de professor (modéstia a parte) nota 10 da escola sabatina. eu não mereço tanto.
alma leve.
"vai ver as rosas. verás que a tua é unica no mundo."
"conte sempre ao senhor acerca de suas necessidades, alegrias, tristezas, cuidados e temores. você não conseguirá sobrecarregá-lo; não o poderá cansar. aquele que conta o cabelos de nossa cabeça não é indiferente às necessidades de seus filhos. 'porque o senhor é cheio de bondade e de misericórdia.' seu coração amorável se comove com nossas tristezas, e quando falamos delas.
entregue-lhe tudo quanto causa insegurança em você. coisa alguma é muito grande para ele, pois sustenta os mundos e dirige o universo. nada do que, de algum modo, se relacione com a nossa paz é tão insignificante que ele deixe de observar. não há em nossa vida nenhum capítulo demasiado obscuro para que ele não o possa entender; dificuldade alguma por demais complicada para que a possa resolver."
final de semana agora eu tava numa formatura de um colega.
muita euforia, risos, lágrimas e certeza de dever cumprido. mas o que achei mais interessante (depois de minha amiga luciana ter me chamado a atenção pra ouvir tal coisa) foi um pensamento do professor que presidia aquela solenidade. e deito aqui.
"quem clama por justiça, na realidade, procura a verdade." frei chico